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Sem forças para subir

Publicado em 04/09/2012
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O mercado de açúcar fechou a semana com pequena variação positiva de 22 pontos no vencimento outubro/2012, que encerrou a sexta-feira cotado a 19,80 centavos de dólar por libra-peso. Os demais meses ao longo da curva fecharam com altas entre 15 e 25 pontos, experimentando quedas nos vencimentos da safra 2014/2015 apenas.

Uma coisa que chamou a atenção esta semana foi que em determinado momento tanto o março, quanto o maio e julho de 2013 estavam cotados exatamente no mesmo preço. Uma excelente oportunidade para se comprar os spreads. Difícil acreditar que o março e maio fiquem no mesmo nível sabendo-se que um reflete a entressafra e o outro a entrada da safra no Centro Sul. Enfim, vamos acompanhar.

Os negócios no mercado físico de exportação continuam mornos. Ofertas de compra para embarque em setembro estavam com desconto de 15 pontos contra o vencimento outubro e no rally (subida repentina dos preços) do inicio da semana passada atingiram 10 pontos de prêmio. Ou seja, se o futuro subir repentinamente também os prêmios podem firmar-se. Quem lembra de 2010?

Todo mundo sabe que as tradings estão vendidas a descoberto no mercado. Muitos dos relatórios que elas preparam e divulgam carregam um tom baixista apontando para preços mais baixos do que os níveis atuais, alguns próximos dos 18 centavos de dólar por libra peso. Muitos fundos de hedge baseiam suas posições nas análises e informações vindas das tradings o que dá espaço para o surgimento das profecias auto realizadas. As tradings dizem que o mercado vai cair, divulgam isso em seus relatórios, os fundos se posicionam baseados neles, e vendem o mercado que, pressionado e sem notícias novas cai, e pronto: a previsão se confirmou. Nem sempre é assim. O mercado deaçúcar carece de notícias novas. As velhas estão sendo requentadas e refletem no mercado como se fossem novas. Parcela considerável dos fatores que afetam a fraqueza do mercado, já estava absorvida há tempos. O fato é que o mercado não tem forças para subir e vamos ficar presos nesse intervalo entre 19.50 e 22.00 centav os de dólar por libra-peso até que alguma coisa nos fundamentos mude a visão dos participantes. 

Algumas tradings acreditam que o ano que vem o CS vai produzir 590 milhões de toneladas de cana. E aí está a questão que levanta dúvidas. As usinas mais capitalizadas do Brasil, que investiram na renovação, acreditam numa recuperação da área plantada. Houve muita renovação da lavoura. As mais disciplinadas acreditam em um aumento de cana entre 8-10% para a safra 2013/2014. Se estas mais bem capitalizadas colocam esse aumento é de se supor que as usinas menos capitalizadas cresçam menos. Vamos estimar que 1/3 do setor cresça 10% e 2/3 cresça metade disso. Na melhor das hipóteses, sobre uma base atual de 510 milhões de toneladas passaríamos para 545 milhões de toneladas. E mesmo se todos crescessem linearmente 10% teríamos 561 milhões de toneladas. Portanto, parece-me que 590 é um número bastante irrealista. Se não dá nem para falar da 2012/2013 nesse estágio, imagine então na 2013/2014.

Independentemente desse crescimento previsto para o ano que vem, as tradings - em sua maioria - acreditam que vão sobrar 2 milhões de toneladas de açúcar este ano. 

A semana que vem será encurtada pelo feriado nos EUA na segunda-feira e pelo feriado da Independência do Brasil na sexta-feira seguinte. Ou seja, uma boa semana para se embolsar o valor tempo das opções vendidas. Existem em aberto 25.000 contratos de calls (opções de compra) com preço de exercício entre 20 e 22 centavos de dólar por libra-peso que podem provocar recompras se o mercado tiver uma subida repentina de preços. Na baixa, por outro lado, entre os preços de exercício de 18 e 20 centavos de dólar por libra-peso das puts (opções de venda) com vencimento em outubro, existem 52.000 contratos em aberto. Já viu pra que lado está quebrando a corda né?

O açúcar foi a commodity agrícola que mais caiu em agosto: 12,6% de queda. A soja subiu 6,5%. O milho ficou inalterado.

Astrônomos alemães encontraram açúcar no espaço numa nuvem de gás em volta de uma estrela nova. Só faltava essa para os fundos aumentarem suas posições vendidas. Tomara que o pessoal da ICE, a bolsa de futuros de açúcar, não comece a pensar no espaço como ponto de entrega.

A sexta estimativa da Archer Consulting elaborada para a safra 2012/2013 do Centro-Sul aponta uma produção de cana de 507 milhões de toneladas, 1% acima da estimativa de julho, considerando uma produção de 31,419 milhões de toneladas de açúcar (redução de 710 mil toneladas) e 20,016 bilhões de litros de etanol (redução de 585 milhões de litros). Apesar do aumento de cana, houve uma redução substancial na ATR que inicialmente prevíamos. 

O primeiro levantamento da Archer Consulting para apuração do volume de fixação das usinas para as vendas de açúcar para exportação da safra 2013/2014 mostra um total entre 1,3 e 1,6 milhões de toneladas ao preço médio de 20,56 centavos de dólar por libra-peso. Pessoalmente achei o número baixo, mas como não temos como interferir no modelo deixa-se a discussão em aberto. Podemos conjecturar que 2/3 das usinas fixaram entre 5-8%, que uma parcela pequena de 5% fixou já 1/3 e que o restante fixou entre 10-12%. Isso daria na média 9,12% sobre 20 milhões de toneladas igual a 1,8 milhões fixadas. 

O hidratado negociado a R$ 1,2342 por litro equivale ao açúcar em NY a 17,22 centavos de dólar por libra-peso sem prêmio de polarização. Ou seja, o hidratado que faz sangrar o fluxo de caixa da usina é negociado equivalente a um desconto de 260 pontos contra NY açúcar.

Fonte: Site Udop